Era Alameda

1945: O América vira Coelho

Terceiro Colocado do Campeonato Mineiro
18 jogos, 9 vitórias, 4 empates e 5 derrotas
36 gols marcados, 23 gols sofridos
Saldo de Gols: 13

Os mascotes dos principais clubes mineiros foram criados em 1945, sob os traços do cartunista e jornalista Fernando Pierucetti, mais conhecido por seu pseudônimo Mangabeira,  à serviço da extinta redação do “Folha de Minas”. O “grande pai dos mascotes mineiros”, Mangabeira era mais um dos ilustres torcedores do América no período, assim como o escritor Fernando Sabino, e os futuros presidentes da República, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves.

A intenção inicial do jornal era associar os times mineiros à figuras humanas: O Atlético seria um “índio-carijó”, o Siderúrgica, um “homem de aço”, enquanto o América deveria ser caricaturado como um aristocrata. Mas o timbre de Mangabeira sugeriu que seria possível fazer algo genuinamente mais brasileiro a partir da “animalização” das equipes locais, assim como foi feito com a maioria dos times do futebol paulista e carioca.

O cartunista provou estar certo, e suas criações foram um sucesso tamanho que servem como símbolo dos clubes mineiros até hoje. Graças a Mangabeira, o Atlético virou o Galo, em função da semelhança das cores com o galo carijó, e o Cruzeiro se tornou a Raposa – em alusão à personalidade do folclórico presidente palestrino, Mario Grosso. O autor também ficou famoso pela criação do “Canarinho” como mascote da Seleção Brasileira.

No entanto, o mascote reservado ao América, time do coração de Mangabeira, causou a revolta na torcida alviverde em um primeiro instante: pressionado por uma redação majoritariamente formada por torcedores atleticanos, Mangabeira nomeou o “Pato Donald” como mascote do time de seu coração.

Segundo o autor, o personagem, além de ser “americano” de nascimento, representava o espírito questionador e polêmico do clube alviverde e seus dirigentes, que ainda estavam marcados pelos diversos embates contra a Liga Mineira desde o deca-campeonato. Mas a torcida americana considerou a o animal um desrespeito à instituição, e, sem querer estar associados a um debochado e inofensivo pato, repudiou o novo mascote.  Mangabeira só se redimiu perante seus conterrâneos alviverdes quando seguiu o próprio instinto e tirou um Coelho da cartola – na verdade, sua opção favorita desde o princípio.

Agora sim! A torcida americana, exigente desde o passado, enfim aprovou o novo mascote e um dos principais símbolos americanos estava criado. Como agradecimento, a redação do “Folha de Minas” recebeu incontáveis telegramas e cartas de agradecimento de americanos prestigiando Mangabeira.

A ideia nasceu do sobrenome de muitos dirigentes do América à época, mas o lado simbólico também pesou. Segundo Mangabeira, “O América era um clube aceso, sempre pronto para o que desse e viesse. Ao mesmo tempo, era um clube delicado, de torcida fina. Um coelho, não é?”.

Para eternizar o novo mascote, o autor publicou uma charge em que um Pato enfia uma espada na barriga, no melhor estilo haraquiri, enquanto o Coelho, ao fundo, assiste tudo em meio a gargalhadas. A charge foi bem recebida pelo público e, desde então, nunca mais se falou no velho mascote: o Pato estava morto e o Coelho mais vivo do que nunca.

Afinal, o pé do Coelho deu sorte, e o América voltou a ser campeão mineiro apenas 3 anos depois da criação do mascote de Mangabeira.

FONTES:
Enciclopédia oficial do América
O Tempo

Mascotes Mangabeira

Mascotes originais de Mangabeira. (Reprodução: O Impresso)

1948: A nova Alameda

Campeão Mineiro
Campeão da Taça dos Campeões

A reinauguração do estádio da Alameda

O nostálgico estádio da Alameda, casa americana desde 1929, foi completamente modernizado e ampliado em 1948 sob o comando do antigo presidente alviverde Alair Couto. O campo, que então possuía espaço para pouco mais de 5 mil espectadores, foi transformado no maior e mais moderno estádio de Minas Gerais, com capacidade para mais de 15.000 pessoas (título que perderia após a inauguração do Independência, em 1950), além de ser o terceiro maior do Brasil na época e o segundo maior de um clube particular, atrás apenas de São Januário.

A nova Alameda deu sorte ao América, que venceu em 1948 seu primeiro título mineiro desde a conquista do deca-campeonato, apenas poucos meses depois da ampliação do estádio. Além disso, o Coelho também conquistou a disputada “Taça dos Campeões”, única competição interestadual da temporada.

Junto ao estádio, o Coelho também promoveu a inauguração da maior e mais moderna praça esportiva do Estado, com disponibilidade para a prática de esportes olímpicos como atletismo, natação, basquete e vôlei. Como resultado, o clube se firmou como referência em modalidades olímpicas, status que perderia apenas com o fim do estádio em 1972, sendo campeão estadual de basquete e vôlei diversas oportunidades, além de ser o primeiro clube mineiro a enviar um atleta para os Olímpiadas (Juvenal dos Santos, um dos grandes pioneiros do atletismo no Brasil, treinou na Alameda durante toda vida).

A ampliação da Alameda foi considerado na época um dos mais importantes acontecimentos do esporte mineiro desde a instauração do profissionalismo. O “Estado de Minas”, nas palavras do cronista Ari Barroso, chegou a anunciar que “Belo Horizonte ganhará hoje o terceiro maior estádio do Brasil, graças ao esforço gigantesco da família americana, numa época de absoluto desinteresse oficial pelas coisas do desporto.”

Alameda final 1948 (Acervo Marinho Monteiro)

Estádio da Alameda completamente lotado para acompanhar o clássico entre América e Atlético que valia o título do Campeonato Mineiro de 1948. (Reprodução: Acervo pessoal Marinho Monteiro)

TAÇA DOS CAMPEÕES

Para comemorar a reinauguração do Estádio da Alameda, o presidente americano Alair Couto convidou as principais equipes do sudeste brasileiro para disputar um torneio comemorativo que ficou conhecido como “Taça dos Campeões” ou “Torneio Quadrangular de Belo Horizonte”. A competição foi formada por equipes históricas do futebol brasileiro, definidas pelo jornal “O Estado de Minas” como “legítimos expoentes do futebol paulista e carioca”:

– Vasco da Gama: Campeão carioca e sul-americano de 1948, o Vasco foi a base da Seleção Brasileira de 1950, tendo enviado nada menos que sete jogadores para o primeiro Mundial do Brasil (Barbosa, Eli, Danilo, Friaça, Ademir de Menezes, Maneca e Chico). Todos os craques mencionados enfrentaram o América em 48. Apelidado de “Expresso da Vitória”, a equipe que foi derrotada pelo Coelho de goleada por 4×2 é considerado o melhor time da história vascaína.

– São Paulo: Ainda um novato, o promissor São Paulo havia sido campeão do quinto Campeonato Paulista na década em 1948, razão pela qual foi apelidado de “Rolo Compressor” por imprensa e torcedores da época. Comandado por craques como Leônidas da Silva, considerado o “inventor da bicicleta”, e Antônio Sastre, que também é ídolo no futebol italiano, não conseguiu sair do 0x0 contra o América durante a Taça.

– Atlético-MG: Bicampeão estadual em 46-47, o Atlético era famoso pelo “trio-maldito” de atacantes formado por Mário de Castro, Said e Jairo. Mesmo assim, não foi páreo para o América: O Atlético de 48 não apenas permitiu o Coelho ser campeão da Taça das Campeões após empate no clássico por 1×1, como teve um então inédito tricampeonato estadual evitado após vitória americana por 3×1 na final do Campeonato Mineiro do mesmo ano.

Mesmo diante de adversários tão badalados, o América de Yustrich, Valsecchi, Petrônio e Murilinho conseguiu o título de campeão do disputado torneio, inaugurando a Alameda com uma festa de gala. Para conseguir o grande troféu, o Coelho conquistou resultados históricos, como uma goleada por 4×2 sobre o lendário “Expresso da Vitória” cruzmaltino, com direito a “Olé!” da torcida mineira. Depois de segurar o ataque do “rolo-compressor” são-paulino com um empate por 0x0, o Coelho levantou a taça após um empate no clássico contra o Atlético na última rodada, antecipando o destino do Campeonato Estadual do mesmo ano.

A Taça dos Campeões foi uma importante conquista para o América, sobretudo pela qualidade técnica das equipes envolvidas, as melhores do Brasil na época. O sucesso na competição comprovou a força da equipe americana de 1948 em nível nacional, já que foi o único torneio do gênero disputado naquela temporada, dando um grande impulso para a conquista do título estadual na sequência.

(Clique aqui para saber mais sobre a Taça dos Campeões de 48)

Taça dos Campeoes 48

Time campeão da Taça dos Campeões de 1948. (Reprodução: Acervo pessoal Marinho Monteiro)

CAMPEÃO MINEIRO DE 1948

Pouco depois de ser “O Campeão dos Campeões”, o América confirmou a boa fase com a reinauguração da Alameda e também voltou a conquistar o Campeonato Mineiro durante a temporada de 1948, encerrando um jejum de títulos estaduais que pairava desde o deca-campeonato (fato motivado pelos tantos protestos feitos pelo clube contra o profissionalismo do futebol durante os anos 1930). Após uma década de dificuldades durante a instauração do profissionalismo, a conquista confirmou o ressurgimento americano no cenário estadual.

O Campeonato de 1948 também é considerada a primeira grande final do futebol profissional em Minas Gerais, por tudo que envolveu em relação a mídia, repercussão, arrecadação e rivalidade. Certamente, a folclórica decisão de 48 foi uma partida que reconquistou o coração do público esportivo mineiro após as tantas dificuldades resultantes da transição entre futebol amador e profissional.

Naquele ano, os planos de ambos os clubes eram ambiciosos: Para o Coelho, a conquista representaria o primeiro título desde o deca-campeonato, enquanto ao Atlético, clube de melhor campanha no certame e tido como grande favorito ao título, a taça representaria a concretização de um sonho perseguido desde sua fundação e já alcançado por América, Cruzeiro e Villa Nova: o inédito tri-campeonato mineiro.

Além disso, a equipe alvinegra havia acabado de superar a hegemonia de títulos americana instaurada durante o deca, tendo conquistado seu décimo primeiro título estadual em 1947, aumentando ainda mais a rivalidade. Com o título de 48, o América voltou a se igualar com seu maior rival em número de conquistas estaduais, o que nunca mais voltou a acontecer durante a história.

Seja como for, 1948 foi um ano mágico para o América. As conquistas em campo aliadas a reinauguração do estádio e o sucesso do novo mascote serviram para dar um novo impulso ao clube e modernizar a identidade do time e seus torcedores: o Coelho da Alameda nascia campeão.

(Clique aqui para saber mais sobre o título estadual de 1948)

Time 1948

Time do América que foi campeão mineiro de 1948.

1949: Vice-campeão mineiro

O América foi vice-campeão estadual de 1949, com 13 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. O Atlético foi campeão com apenas um ponto e uma vitória a mais que o Coelho. Naquele ano não houve a realização de finais em razão das confusões que marcaram a decisão entre América e Atlético no ano anterior.

Fontes:
Cacellain.com.br

1950: Construção do Independência

Terceiro colocado do Campeonato Mineiro

A CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO INDEPENDÊNCIA

O Estádio do Independência, segundo estádio mais antigo ainda em atividade no Estado de Minas Gerais, foi construído para sediar a Taça Jules Rimet de 1950, durante a realização do primeiro Mundial de Seleções no Brasil.

Belo Horizonte foi apontada como uma das possíveis sedes desde o anúncio do torneio, mas a ausência de um estádio apropriado dificultava as ambições da capital mineira. Apesar da Alameda ser o terceiro maior estádio privado do Brasil na época, não podia fazer frente a estádios municipais como Pacaembu ou Maracanã, tendo a metade da capacidade do Pacaembu, por exemplo. A Vila Capanema, do Paraná, foi o único estádio de proporções semelhantes à Alameda a participar do torneio, mas isso porque compensava em modernidade. Além disso, a Alameda teria que passar por mais uma série de reformas para atender o Mundial de 1950, assim como ocorreu com a Ilha do Retiro em Pernambuco, mas isso estava fora de cogitação já que o estádio havia sido completamente reformado apenas dois anos antes, em 1948.

Dessa forma, a única alternativa era a construção de um novo estádio. E o comando dessa empreitada coube justo a quem batizava a Alameda, o prefeito Otacílio Negrão de Lima, ex-jogador e antigo presidente do América. O antigo prefeito fez de tudo para honrar o desejo do presidente da CBD e não deixar BH de fora do Mundial, se comprometendo pessoalmente perante Jules Rimet, primeiro presidente da história da FIFA, a construir um estádio a altura do torneio, com capacidade para até 30.000 expectadores segundo os padrões da época. O novo campo teria palco no antigo Bairro da Floresta, atual Bairro do Horto, onde o terreno de aspecto montanhoso favorecia a construção, com barrancos que serviriam de suporte para as arquibancadas. Depois de quase 2 anos de obras apressadas, o estádio foi concluído às vésperas do Mundial.

Após a disputa do torneio, o Independência foi herdado pelo Sete de Setembro, único clube da capital sem estádio próprio. O nome da extinta equipe do inspirou o apelido popular que a cancha carrega até hoje. Como compensação, os outros clubes da cidade – América, Cruzeiro e Atlético – concordaram em receber Cr$ 2 milhões para relegar qualquer direito de propriedade sobre a nova construção da Prefeitura. Quase 40 anos depois, com o iminente fim do Sete de Setembro, o estádio foi adquirido pelo América, clube do qual sempre foi associado de alguma maneira.

Estadio em 1949

Construção do estádio do Independência em 1949.

A SEGUNDA VISITA DE JULES RIMET

Três meses antes do início da primeira Copa do Mundo no Brasil, o francês Jules Rimet, primeiro presidente da FIFA, visitou Belo Horizonte pela segunda vez na história, a fim de vistoriar as obras do estádio do Independência. O francês já havia estado em BH em 1929, quando conheceu e elogiou as instalações de América e Atlético.

Com o atraso nas obras do estádio do Horto, Jules Rimet chegou a indicar a Alameda, casa do América, como alternativa ao torneio caso o Independência não fosse concluído a tempo. Teria sido histórico para o clube, mas o prefeito Otacílio Negrão cumpriu sua promessa e concluiu o Independência as vésperas do Mundial.

TAÇA JULES RIMET DE 1950

Estadio/Aspecto do publico presente ao Estadio Independencia por ocasiao do jogo Estados Unidos x Inglaterra, pela Copa do Mundo de 1950.

Estádio do Independência durante a partida entre Inglaterra e Estados Unidos pelo Mundial de 1950. (Reprodução: Portal BH, Prefeitura de Belo Horizonte)

Três jogos da Copa do Mundo de 1950 foram disputados no recém-inaugurado Estádio do Independência, todos eles correspondentes à fase de grupos.

O primeiro jogo da história do “Caldeirão do Horto” foi durante a goleada de 3×0 da Iuguslávia sobre a Suíça.

Na partida seguinte, o estádio abrigou um jogo que ficou conhecido na época como a “maior zebra da história das Copas do Mundo”, quando os Estados Unidos venceu a Inglaterra por 1×0. Ninguém pensava que os americanos, de pouca tradição no futebol, fossem capazes de derrotar os inventores do esporte, que participavam de um Mundial pela primeira vez na história, com a condição de pleno favorito ao título. Para se ter uma ideia, a Inglaterra não via necessidade de competir internacionalmente até então, já que se julgava muito superior aos demais. Antes do início do Mundial, a maioria julgava que a Inglaterra seria campeã de 1950. Partida mais lembrada do “soccer norte-americano”, o magro placar foi parar em Hollywood, durante o filme “The Game of our Lives”.

Na última partida da Copa de 1950 abrigada pelo estádio, outro resultado marcante: Durante sua maior goleada na história da competição, o futuro campeão Uruguai, venceu a Bolívia por 8×0, em jogo válido pela terceira e última rodada da fase de grupos.

Independencia_ Copa50_Eua x Inglaterra

O estádio do Independência sempre deu sorte aos americanos: Em 1950, a Seleção dos Estados Unidos venceu a Inglaterra por 1×0 durante jogo que ficou conhecido na época como “a maior zebra da história das Copas do Mundo”. (Reprodução: Super Esportes)

América 5×0 Atlético

O América protagonizou uma memorável goleada sobre seu principal rival no dia 8 de fevereiro de 1950, quando goleou o Atlético-MG por nada menos que 5×0. A partida ficou tão violenta com a goleada americana que teve que ser interrompida antes do final.

Nessa época, “O Clássico das Multidões” estava a todo vapor e permanecia como a mais acirrada rivalidade entre equipes mineiras. O América foi campeão estadual sobre os alvinegros em 48 e levou o troco no ano seguinte. Ainda em 1950, os atleticanos revidaram a goleada por 5×0 e venceram por 6×2. Mas o Coelho voltou a golear o Galo por 5×0 em 1951, além de protagonizar a maior vitória da história do clássico em 1952, quando deu um baile e venceu seu maior rival por nada menos que 7×2.

1951:

Sexto colocado no Estadual

Goleada no clássico em homenagem à Juscelino Kubitchek

Em um jogo de homenagem ao torcedor americano Juscelino Kubitchek, realizado no dia 2 de fevereiro de 1951, o América repetiu a goleada aplicada um ano antes e venceu seu rival por 5×0. A vitória foi homenageada ao recém-empossado governador, que estava presente como torcedor americano no estádio da Alameda.

JK, que assumiu a presidência do país em 1961, foi um declarado torcedor do Coelho. O futuro presidente chegou a integrar as equipes juvenis de basquete do América durante a juventude.

Fonte: Enciclopédia do América, Carlos Paiva

Campeonato Mineiro de 1951

Diferentemente dos anos anteriores, o América não foi bem no Estadual de 1951, terminando a competição apenas na sexta posição, com 4 vitórias, 3 empates e 7 derrotas. Os resultados mais marcantes do América na competição foram um emocionante empate por 4×4 contra o Cruzeiro e uma goleada por 4×0 sobre o futuro campeão Villa Nova, naquela que seria a única derrota na competição do Leão do Bonfim. Nesse ano, a equipe de Nova Lima conquistou o último Campeonato Estadual de sua história, após uma histórica decisão contra o Atlético-MG, vencida por 4×3 no placar agregado.

1952: A maior goleada da história do clássico

Quarto colocado no Estadual

América 7×2 Atlético

A maior goleada da história do clássico

O ano de 1952 não foi dos mais marcantes para a equipe de futebol do América, que terminou o Campeonato Mineiro em terceiro lugar, despedindo-se das finais por questão de apenas uma derrota. Porém, a maior goleada da história do “clássico das multidões” deu razões de sobra para os americanos jamais esquecerem aquela temporada.

No dia, por partida valida pelo “Torneio Governador Campos Salles”, o América goleou o Atlético por 7×2, em uma partida tão humilhante, que a torcida alvinegra, em coro, ironicamente pediu por “mais um, mais um!” gol do América.

Foi o terceiro ano consecutivo em que o Coelho goleou o Galo por mais de 4 gols: em 1950, o América venceu seu maior rival por 5×0, placar que repetiu em 51, até vencer por 7×2 em 52. O resultado é a segunda maior goleada entre os três clubes da capital.

Campeonato Mineiro

O América terminou o Estadual de 1952 na terceira colocação, com 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Naquele ano, apenas uma partida separou o América de sua terceira final em cinco anos.

O regulamento de 52 seguiu o padrão que prevaleceu até meados de 1960, quando o Campeonato era dividido em dois turnos e o primeiro colocado de cada um deles chegava a final.

Na primeira fase, o Coelho ficou apenas em quarto lugar, com 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas em 8 jogos. Siderúrgica e Atlético empataram na primeira colocação e uma final foi marcada para decidir o campeão do turno. A “Tartaruga de Sabará” perdeu por 5×2 no placar agregado e o Atlético garantiu uma vaga na final.

Na fase seguinte, o América enfim mostrou ao que veio e impressionou com 7 vitórias em 8 jogos. O Coelho só perdeu para o futuro campeão Atlético, que venceu as 8 partidas do returno. No entanto, caso o América vencesse o clássico, válido pela penúltima rodada do segundo turno, teria se classificado para a final. Por essa razão, o confronto entre os dois grandes rivais foi considerado uma espécie de decisão antecipada, já que garantiu o título do Atlético, que venceu os dois turnos e dispensou a realização de uma final contra seu maior rival.

1956: Primeira excursão à Europa

Terceiro colocado do Campeonato Mineiro

Excursão a Europa

O América promoveu sua primeira excursão internacional para a Europa em 1956, quando visitou países como a PolôniaBélgicaFrançaAlemanha e Espanha. Liderado por craques como GungaGambettaEdgar, Mendez e Amarelinho, o América conquistou resultados expressivos durante a campanha: Em 23 jogos no Velho Continente, venceu 14, empatou 10 e perdeu apenas 4 partidas.

Confira os jogos:

UM AMERICANO CAMPEÃO DO MUNDO

Em 1956, o América se tornou o primeiro clube brasileiro a ter um campeão mundial por Seleções em seu plantel. O dono da honraria foi Gambetta, campeão da Taça Jules Rimet em 1950, pelo Uruguai.

O volante chegou ao Coelho após um curioso negócio com o Nacional de Montevidéo, clube de identificação e companheirismo histórico com os americanos, ao ponto de alguns dirigentes serem amigos pessoais.

Sem disputar nenhuma competição desde o fim do Campeonato Uruguaio, o Nacional chegou a oferecer metade do seu elenco por empréstimo ao América, a fim de manter seus jogadores em atividade. O negócio estava prestes a ser concretizado quando um dirigente atleticano interveio com ajuda da Federação Mineira. Dessa forma, apenas o campeão mundial Gambetta e o atacante Mendes, outro jogador a nível de Seleção Celeste, chegaram a atuar com a camisa do Coelho, durante o Campeonato Mineiro de 1956 e a primeira excursão do clube à Europa.

1957: Tríplice Coroa

13 jogos, 11 vitórias, 1 empate e 1 derrota

America 57 (avacoelhada)

O América foi campeão mineiro de 1957 em nível profissional, juvenil e aspirantes. A conquista ficou conhecida como “Tríplice Coroa” – foi a primeira vez na história que a imprensa mineira utilizou o termo. (Reprodução: Acervo Torcida Desorganizada Avacoelhada)

TRÍPLICE COROA

O América reinou absoluto no futebol mineiro durante a temporada de 1957, quando conquistou todas as competições promovidas pela Liga Mineira de Futebol, sendo campeão estadual em nível profissional, juvenil e aspirantes. Primeiro clube mineiro a realizar esse feito, a conquista ficou conhecida como a “Tríplice Coroa”.

Não à toa, o América foi a base da Seleção Mineira de Futebol de 1957, enviando 6 jogadores, 5 deles titulares, para disputar o torneio de Seleções Estaduais daquele ano. A Seleção Mineiro-Americana por pouco não venceu a Seleção Paulista e foi eliminada após uma polêmica derrota por 2×1 em Barbacena-SP. Mesmo assim, o equilíbrio da partida revela a força de alguns jogadores americanos em nível nacional. No entanto, por razões ainda nebulosas, o América foi misteriosamente deixado de lado durante a disputa do torneio Roberto Gomes de Pedrosa, o Robertão, considerado o Primeiro Campeonato Brasileiro da história e que reuniu os campeões estaduais de 1957 e 1958.

O título de 57 foi conquistado sobre o Democrata de Sete Lagoas, a grande surpresa da competição, após emocionantes finais no sistema “melhor de 3” (1×0, 0x0, 1×1). Depois de vencer a primeira partida por 1×0, o Coelho empatou sem gols na segunda e precisava apenas de um empate na terceira para ser campeão. Mas o Democrata deu um susto na Alameda quando abriu o placar, já no segundo tempo. Depois de muita tensão, Geraldo marcou, aos 35 minutos, o gol do empate e título americano.

A conquista foi ainda mais comemorada pela grande reviravolta do Coelho na competição: com apenas 1 vitória nos 7 primeiros jogos, o qualificado time americano reagiu com 9 vitórias em 11 jogos para levar a taça. Foi o terceiro e último título do América conquistado no estádio da Alameda.

(Clique aqui para saber mais sobre a Tríplice Coroa de 1957)

América 57 2(avacoelhada)

EDGAR É SELEÇÃO!

Em março, o atacante americano Edgar foi convocado pelo treinador Osvaldo Brandão para servir à Seleção Brasileira que disputou o Campeonato Sul-Americano em Lima, capital do Peru. Único jogador mineiro convocado na ocasião, Edgar foi o segundo jogador da história do América a integrar a Seleção principal. No total, cinco americanos já foram enviados. Pouco depois, Edgar foi vendido ao Botafogo-RJ por um alto valor.

1958: Vice-campeão mineiro

time58 (avacoelhada)

O América por pouco não foi bi-campeão mineiro em 1958. (Reprodução: Acervo Torcida Desorganizada Avacoelhada)

 

Com jogadores do quilate de Gunga (segundo maior artilheiro da história do clube), Zuca (autor de 78 gols pelo América) e Jardel (considerado o melhor goleiro da história do clube até o surgimento de Milagres), faltou pouco para o Coelho ser bicampeão estadual em 1958.

REGULAMENTO

O regulamento do Campeonato Estadual de 1958 foi confuso como muitos de sua época. Ao todo, o América disputou 36 jogos, sendo que boa parte deles foram disputados apenas no ano de 1959.

Na primeira fase da competição, 8 equipes se classificavam em uma chave de 16. O Coelho foi o terceiro colocado, com 9 vitórias, 2 empates e 4 derrotas.

Na fase seguinte, voltava a prevalecer o padrão da década: 8 equipes duelavam em turno e returno para decidir os finalistas, onde o campeão do primeiro turno enfrentava o campeão do segundo na final, ou o campeão dos dois turnos levava o título de forma antecipada.

POLÊMICA

O Atlético venceu o primeiro turno, com 9 vitórias e apenas 1 em 10 jogos. O único time que venceu os alvinegros no primeiro turno foi justamente o América, que goleou seu maior rival por 3×0. Porém, naquela partida, o maior prejuízo foi dos americanos, que perderam o segundo maior artilheiro de sua história até o restante da competição. Afinal, o craque Gunga, ex-jogador do Barcelona e autor de 106 gols pelo clube, fraturou os ossos da região orbital e teve que ser operado após o clássico, tamanha a brutalidade e violência dos atleticanos, “misteriosamente” tolerada pela arbitragem local, já que nenhum alvinegro foi expulso.

O advogado americano, Wilson Gosling, processou quatro jogadores do Atlético por agressão após o jogo. Arizona foi apontado como mandante, Benito como autor, e Celso e William como cúmplices. Em 01/01/1958, primeiro dia do ano, os jogadores tiveram que comparecer ao 6º Distrito Policial para prestar esclarecimentos. O processo só não foi pra frente porque Gunga foi coagido a retirar à queixa: Um acontecimento sem precedentes no futebol mineiro.

Na época, o segundo maior artilheiro da história do América, chegou a declarar para “O Estado de Minas”:

“Todos sabem que jogo duro, mas na bola. Arizona, Benito, Celso e William (jogadores do Atlético-MG) tramaram um complô para inutilizar-me. Desde que viram o jogo perdido, passaram a caçar-me. No lance em que fui atingido e estranhamente o juiz não viu, os quatro investiram contra mim, tendo um deles gritado: ‘é agora!’. Quando me preparava para saltar e cabecear a bola, os quatro me imprensaram e o zagueiro, aproveitando a confusão, desferiu-me criminosa cotovelada no olho. Caí vendo tudo escuro. Tentei levantar-me, mas estava tonto e cego. Ao ser retirado de campo, ainda pude perceber que eles não estavam satisfeitos, pois naquele exato momento Ilton atacava ferozmente o meu companheiro Roberto. O sangue que escorria pelo meu rosto é o mesmo que ferve minhas veias. Por isto voltei ao campo quase cego de indignação e dor. Não estava vendo nada direito e parti sobre Celso, supondo que fosse Benito. Porém, qualquer um dos dois serviria. Como serviriam também o Arizona e o William… Voltei para terminar a briga começada por eles de maneira tão indigna. Eles, porém, se acovardaram. Mas aí, depois que errei o alvo, o juiz me expulsou. Matem-me, mas não me batam!”

Mesmo com seu goleador combalido, o Coelho conseguiu a primeira colocação do segundo turno. No entanto, o América empatou com o Cruzeiro em número de pontos ganhos e uma decisão “melhor-de-três” foi marcada para decidir quem enfrentaria o Atlético na final.

DECISÃO CONTRA O CRUZEIRO

A série melhor de 3 contra os cruzeirenses foi emocionante. Os dois primeiros jogos foram duros e terminaram empatados em 1×1 (05/04/59 e 09/04/59). Durante a terceira e decisiva partida, marcada para o dia 12 de abril de 59, o Coelho conseguiu uma vitória eletrizante no clássico por 3×1.

FINAL CONTRA O ATLÉTICO

O América estava de volta à final, alguns diziam como favorito. Porém, já sem Gunga, maior esperança de gols do time, o bi-campeonato escapou após duas derrotas mínimas no clássico contra o Atlético, em jogos que novamente ficaram marcados por arbitragens polêmicas. Aos americanos, restou o lamento de que as coisas poderiam ser diferentes com o grande artilheiro Gunga em campo, .

(19/04/59: 1×0, gol de Ubaldo, 23/04/58: 1×0, gol de Alvinho)

1959: Bi-vice

13 jogos, 11 vitórias, 1 empate e 1 derrota

O Coelho foi vice-campeão estadual pela segunda vez consecutiva em 1959. Dessa vez, apenas um ponto separou o América do título mineiro.

O regulamento de 1959 foi curioso: A competição foi dividida em “Zona Central” (que abrangia as equipes da capital mineira), “Zona do Sertão” (equipes do Norte do Estado) e “Zona Metalúrgica” (regiões de âmbito industrial), onde 4 equipes de cada chave se classificavam para a fase seguinte. Na segunda fase, o time que mais somasse pontos seria campeão.

O América classificou-se para os turnos finais com a segunda posição da “Zona Central”, com 12 pontos, 4 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, em 12 jogos.

Na fase seguinte, o Coelho fez uma campanha espetacular, com 16 vitórias, 2 empates e apenas 2 derrotas em 20 jogos. O campeão Cruzeiro teve o mesmo número de vitórias que os americanos (16), mas uma derrota a menos (1) e um empate a mais (3). Dessa forma, apenas um ponto separou a taça do América: os palestrinos venceram o título com 34 pontos e os deca-campeões foram vice com 33.

Mas a grande polêmica da competição foi um empate entre América e Democrata, interrompido 10 minutos antes de seu final, devido a brigas entre as torcidas e a polícia. Em seu direito, a diretoria e torcida americana fizeram muita pressão para remarcar a partida, ou ao menos conseguir jogar os minutos restantes. A Federação chegou a declarar que remarcaria a partida após o fim da competição, mas isso nunca aconteceu. O resultado dessa partida poderia retirar o título do Cruzeiro e consagrar o América campeão.

1960: O melhor ataque da história

América 1960

O América de 1960 quebrou o recorde de gols de um time mineiro em uma temporada, com 215 gols. (Reprodução: Acervo Torcida Desorganizada Avacoelhada)

O melhor ataque da história do futebol mineiro

Em 1960, o América quebrou o recorde de gols marcados por um time mineiro em uma temporada, ao anotar nada menos que 215 gols entre as 36 partidas do Campeonato Mineiro, as 12 partidas da Excursão do clube à Europa e outros demais amistosos internacionais e interestaduais. A marca está 47 tentos à frente do recorde atleticano de 172 gols em 1976.

Segunda excursão do América para a Europa

O América promoveu sua segunda excursão internacional para a Europa entre os meses de janeiro e fevereiro de 1960, quando visitou a Grécia, Turquia, Chipre e Israel. Confira o desempenho americano:

América 1x0 Fener (Acervo Marinho Monteiro)

Time do América que venceu o Fenerbahçe por 1×0 em 1960. (Reprodução: Acervo Mário Monteiro)

Presidente americano na CBD

No dia 18 de junho de 1960, o presidente do América, Jorge Ibrahim, foi nomeado Presidente do Conselho Técnico da Confederação Brasileira de Desportos, segundo indicação direta de João Havelange, futuro presidente da FIFA, que o encorajou pessoalmente a assumir o cargo. Uma cerimônia que contou com a presença de João Havelange e demais presidentes de Federações estaduais foi marcada para oficializar Ibrahim no novo cargo.

COELHINHO SELEÇÃO

Em abril de 1960, os jogadores americanos Amaury e Décio foram convocados para servir a Seleção Brasileira durante as Olimpíadas de Roma. Nessa época, apenas atletas das categorias de base, sem contrato assalariado, tinham o direito de integrar à Seleção Nacional de Futebol em jogos olímpicos.

O craque do ano

Zuca, artilheiro do América na temporada, foi eleito o “Craque do Ano” de Minas Gerais, segundo o jornal “O Estado de Minas”. O meia Toledo também foi convocado para a Seleção do Ano.

1961: Vice-campeão mineiro

América 61 (avacoelhada)

Campeonato Mineiro de 1961. (Torcida Desorganizada Avacoelhada)

Durante o Campeonato Mineiro de 1961, que se encerrou apenas em abril de 62, o América foi vice-campeão estadual pela terceira vez em quatro anos.

Com 14 vitórias, 9 empates e apenas 3 derrotas, o Coelho chegou a empatar com o Cruzeiro na primeira colocação com 37 pontos na última rodada, quando goleou o Valério por 3×0, no dia 24 de março. Porém, o rival ainda tinha uma partida marcada para o início de abril e, apesar da “seca” dos americanos, o Cruzeiro venceu e foi campeão com 39 pontos, já que a vitória valia apenas 2.

Após o terceiro vice desde o título de 57, alguns antigos ídolos deram adeus ao clube, como Gunga, Zuca e Jardel, contribuindo para certo enfraquecimento do clube durante o início da década de 60.

EXCURSÃO PARA A ARGENTINA

O América visitou o Rio da Prata pela primeira vez na história em 1961, quando realizou 15 partidas contra equipes do futebol portenho. No entanto, diferente das duas primeiras excursões do clube à Europa, o desempenho do Coelho na Argentina não foi lá muito animador: Em X jogos, o América conseguiu apenas X vitórias, x empates e x derrotas.